Com os servidores virtualizados no centro de dados, a virtualização de desktops emerge muitas vezes como o passo seguinte mais lógico na evolução tecnológica de uma organização. Mas as empresas estão descobrindo que os benefícios das tecnologias para alojar e gerir desktop virtuais envolvem algumas diferenças. As vantagens podem ser mais difíceis de quantificar e será mais difícil de justificar, com base em cálculos puramente tradicionais de retorno de investimento (ROI). Então, como se poderá calcular e quantificar essas vantagens, escolher a tecnologia certa e desenvolver com sucesso um projeto de infraestrutura de desktops virtualizados, ou Virtual Desktop Infrastructure (VDI)?
A primeira coisa a fazer é obter um entendimento claro dos potenciais benefícios, dizem vários consultores, analistas e utilizadores.
Os ganhos da virtualização de desktops são muito diferente dos observados com a virtualização de servidores. Embora neste caso se produzam poupanças visíveis através da consolidação de hardware dos servidores físicos e do aumento da utilização de recursos, a maioria dos departamentos vai perceber que o alojamento de PCs virtuais requer algum terreno virgem, para suportar novas infraestruturas no data center. Mas isso não impede muitos departamentos de TI de explorarem as várias possibilidades.
“2011 é o ano em que muitos dos conceitos de virtualização de desktop vão amadurecer em implantações reais”, diz Ian Song, analista da IDC. Mas, até agora, acrescenta, a maioria dos projetos é ainda de escala reduzida. A empresa de estudos de mercado estima que apenas cerca de 13,5 milhões, dos 400 milhões de PCs a serem fornecidos durante o corrente ano, serão para implantações de VDI – pouco mais de 3%. Em 2014, esse número vai mais que duplicar, para 34 milhões (quase 7% do mercado global).
Os números da Gartner são mais conservadores. “Embora constitua uma grande oportunidade, acreditamos que apenas 10% a 12% da base instalada de utilizadores de PCs vão realmente usá-los nos próximos dois a três anos”, diz a analista Mark Margevicius.
É uma tecnologia que tem de ser escolhida para as situações mais corretas. Song acredita que a tendência atinja o seu auge ao conseguir entre 15% e 18% dos desktops empresariais.
Soluções
A arquitetura mais popular hoje para a virtualização de desktops é a VDI. Um bom exemplo é o VMware View, no qual instâncias de Windows XP ou 7 rodam em máquinas virtuais, separadas do servidor físico de suporte. Essa separação acontece através de uma camada de software, como o hipervisor da VMware, vSphere. Esse software permite que cada PC virtual tenha acesso exclusivo ao hardware enquanto serve como “guarda” de tráfego para todas as solicitações ao hardware partilhado por “baixo” dele.
A virtualização de desktops pode assumir uma forma mais ampla – como uma maneira de remover o ambiente de desktop Windows do PC físico e hospedá-lo no data center. Essa ideia tem sido promovida desde que a Microsoft apresentou o Terminal Services (agora Remote Desktop Services) com o Windows NT 4.0, em 1996. Este software tem disponibilizado aplicações Windows hospedadas dentro de sessões de terminal, com o Windows Server funcionando como o sistema operativo para múltiplos usuários.
A Citrix alarga essa abordagem incluindo a apresentação de um ambiente de desktop com sistema Windows simulado usando o RDS/Windows Server. Em ambos os casos, o método de ligação é semelhante: um dispositivo cliente físico (um “thin client” ou PC executando um software cliente especial) troca informação com o mouse, o teclado e o monitor, e o desktop Windows simulado é executado numa sessão de terminal, ou numa máquina virtual Windows residente em um espaço de alojamento de “back end”.
A tecnologia tem melhorado desde os primórdios da computação baseada em servidor. Hoje, o desempenho é cada vez mais rápido e o desktop virtual do usuário pode incluir qualquer nível de personalização permitidas pelas políticas da empresa. E no modelo de RDS, os usuários podem trabalhar dentro de um ambiente de desktop virtual completo, em vez de terem de escolher as aplicações a partir de um menu de aplicações virtualizadas.
Persistência e eficiência
Enquanto a VDI está no topo do ciclo de entusiasmo, há muitas variantes e opções. Por exemplo, pode-se escolher um modelo de “desktop persistente”, onde cada usuário tem a sua própria instalação, totalmente dedicada e personalizável do Windows residente numa máquina virtual alojada. Ou, então, optar pelo modelo VDI “não persistente” e mais eficiente, no qual muitos desktops virtuais são colocados para funcionar a partir de uma imagem comum de disco.
Não existe uma solução única para todas as situações. “Cada grupo de usuários tem o seu próprio conjunto de requisitos e parâmetros, e combinações diferentes de tecnologias podem servir vários grupos dentro de uma organização”, diz Steve Kaplan, vice-presidente da INX, prestadora de serviços de virtualização de infraestrutura de data centers. E, para algumas aplicações, a tecnologia simplesmente não faz sentido.
Nos últimos anos, o custo de implantação foi decrescendo, embora o investimento inicial necessário na infraestrutura dos data centers ainda seja elevado. “Nós não assumimos os desktops alojados como sendo menos caros do que um PC, numa perspectiva de investimento”, diz Margevicius. Este analista da Gartner coloca o custo total de uma implantação de desktop virtual em cerca de 1,3 a 1,5 vezes o custo de uma implantação de PC tradicional. “O investimento inicial é o fator limitador para os nossos clientes”, diz.
No campo dos benefícios, a virtualização de desktops inclui níveis de segurança mais altos, maior eficiência operacional e um retorno mais acelerado à atividade após uma interrupção involuntária. Que estratégia seguir considerando todos estes fatores? Mick Slattery lidera os serviços de preparação de postos de trabalho para a Accenture e para a Avanade, e considera que, sem outras iniciativas na parte da infraestrutura, pode ser difícil justificar o investimento de capital necessário à VDI por si só. O Co-operative Group, uma das maiores empresas de varejo do Reino Unido (comercializa alimentos, artigos de farmácia ou de viagens, entre outros), transferiu 900 dos seus 19 mil funcionários para desktops virtuais com Windows XP, e planeia prosseguir com o Windows 7.
“Gosto da fluidez com que se faz isto “, diz o arquiteto técnico, Ian Cawson, comparando a plataforma VDI XenDesktop com a sua ferramenta tradicional de distribuição de software, Altiris, para distribuição de atualizações em massa em todos os 2500 postos da Co-operative. Entre outras razões, “o Altiris ‘mataria’ a rede” em termos de largura de banda, explica, e obrigava a restaurar a “imagem” de todo o sistema.
Virtualização de tablets
Atualmente, também não se podem ignorar os pedidos de acesso a recursos empresariais a partir de smartphones, tablets e outros dispositivos pessoais. Como a pressão para acomodar tais dispositivos continua a crescer, Mick Slattery, da Accenture, vê a virtualização de dispositivos-cliente como “um passo interessante”.
“Permite manter um nível de controlo e segurança e ainda atender às necessidades dos usuários”, embora, diz Slattery, “surjam alguns problemas de apresentação da informação no início” quando se implanta uma área de trabalho virtual ou uma aplicação de desktop para um tablet ou display de smartphone. A consumerização dos dispositivos-cliente é exatamente o que o St. Luke’s Health System está fazendo, com o prestador de serviços de saúde Summit, do Missouri.
O piloto em evolução visa suportar a disponibilização para médicos de ambientes de trabalho Windows 7 virtualizados em iPads pessoais. Dessa forma, eles podem acessar aplicações clínicas capazes de fornecer informações do paciente, mesmo enquanto se movem entre salas.
A virtualização pode ainda ser uma boa maneira de eliminar a necessidade de usar computadores portáteis entre casa e escritório, se os usuários já tiverem um PC ou “thin client” em cada uma dessas localizações, salienta Kaplan, da INX. “A virtualização os acompanha,” explica.
A cadeia de varejo Rent-A-Center, por exemplo, lançou recentemente um piloto de virtualização de desktops. KC Condit, director de segurança da informação e suporte, espera evitar a necessidade de dar dispositivos móveis aos 425 gestores de loja que viajam até oito lojas por semana. Em vez disso, espera dotar os gestores com um desktop virtual alojado e acessível a partir de um computador de casa ou de um “thin client” em qualquer loja. O projeto piloto de virtualização na Rent-A-Center assenta em tecnologia XenDesktop e poderá se tornar um método de acesso seguro para centenas de contratados, empregados temporários e parceiros de negócios. Além disso, pode preparar o palco para outros objetivos da empresa: sair do negócio da disponibilização e suporte de hardware para clientes.
“Isto abre caminho para a implantação de um modelo no qual cada funcionário traz o seu próprio computador, algo que quero implantar este ano para alguns usuários”, diz Jai Chanani que, como diretor de serviços de tecnologia e arquitetura da Rent-A-Center, também trabalhou na criação das redes de dados para o projeto.
Virtualização de desktops hospedados
A ideia da virtualização de desktops hospedados passa por virtualizar todo o ambiente de trabalho Windows, incluindo aplicações, e hospedá-los no centro de dados. O utilizador interage então remotamente com o desktop virtual através do mouse e das atualizações no monitor.
Os fabricantes disponibilizam duas abordagens baseadas no modelo VDI. De acordo com a primeira opção, a arquitetura de VDI persistente dá a todos os usuários a sua própria área de trabalho virtual a qual funciona dentro de uma máquina virtual num servidor de back-end. Cada usuário tem a sua própria área de trabalho virtual, que funciona a partir de um único arquivo de imagem de máquina virtual dedicada, contendo uma instalação completa do Windows. O usuário controla a “imagem” do sistema e qualquer mudança que fizer é registada.
A segunda opção apresenta uma área de trabalho “não persistente” e virtual, que funciona a pedido, a partir de um arquivo de imagem comum a servir vários usuários. Quando um usuário termina a sessão, qualquer alteração feita no desktop virtual desaparece.
A Citrix apresenta uma terceira opção: o seu “desktop virtual hospedado partilhado” baseia-se no modelo XenApp/Presentation Server e oferece um desktop Windows simulado numa sessão RDS no Windows Server.
Nos casos em que as organizações já usam o XenApp para disponibilização de aplicações, alguns departamentos de TI têm assumido como mais eficiente do ponto de vista do custo a implantação de XenApp como plataforma para desktops virtuais hospedados e partilhados, em vez de construir uma nova infraestrutura para VDI, diz Kaplan, da INX. Tecnicamente, porém, ele não a considera uma tecnologia de desktops virtuais, pois os usuários estão partilhando um sistema operacional Windows Server e não um sistema nativo Windows XP ou 7 hospedado numa máquina virtual.
“Embora seja possível fazer quase tudo o que se pode fazer com a VDI usando o XenApp, o cenário pode tornar-se muito complexo e oneroso. Por isso, nunca vingou como solução para substituir o desktop, apesar de ter uma economia muito convincente”, diz Kaplan. “Na raiz do problema está o fato de o Windows Server ser usado de uma maneira imprevista”.
A maioria das implantações de desktop virtual com tecnologia Citrix usa o XenDesktop para hospedar desktops num modelo de VDI “não persistente”, de acordo com aquele responsável.
Adoptando a abordagem dos desktops virtuais “não persistentes”, existem economias na gestão do “back-end” e nos gastos com a infraestrutura, porque este modelo utiliza apenas um arquivo de imagem único em vez de uma imagem para cada usuário. Além disso, ocupa menos espaço de armazenamento em rede.
Quando os usuários terminam a sessão, os seus desktops virtuais podem ser desligados. Mas é mais comum para manter os desktops virtuais em estado de suspensão, para que os usuários possam começar a trabalhar mais rapidamente quando voltarem a se autenticar no sistema. De fato, no modelo dos desktops virtuais “não persistentes”, os gestores de sistemas podem manter um conjunto de sessões de máquinas virtuais em execução ou em suspensão, para que os novos usuários possam começar logo a trabalhar, mal se autentiquem.
Antes de implementar uma VDI, reduzir os tempos de inicialização nos PC era um dos pedidos mais frequentes dos empregados, diz Kevin Summers, CIO da Whirlpool. Agora, os usuárioss iniciais da VDI estão a perceber que conseguem começar a trabalhar mais rapidamente. “Estão menos frustrados”, considera.
Muitas vezes os departamentos de TI consideram as diferentes opções como soluções concorrentes, diz Margevicius, da Gartner. Mas as tecnologias são realmente complementares. Uma abordagem pode ser mais adequada do que outra para um determinado caso de uso, mas duas ou mais tecnologias também podem ser usadas em conjunto para criar soluções capazes de responder mais facilmente às necessidades de grupos específicos de usuários. Por exemplo, um departamento de TI pode implantar uma área de trabalho virtual para um usuário com o Microsoft Office instalado, e disponibilizar outros programas na área de trabalho virtual, utilizando a virtualização de aplicações.
O utilizador vê um ambiente de trabalho unificado, enquanto o departamento de TI consegue, assim, melhorar a estabilidade dos sistemas, evitando conflitos induzidos pelas aplicações.
Fonte : http://cio.uol.com.br/tecnologia
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